A
atriz, diretora e professora de teatro morreu aos 39 anos, em Niterói, por coronavírus

1 erika 16445077 Erika Ferreira: uma vida dedicada às Artes Cênicas
Erika Ferreira em cena com a Oficina Social de Teatro
(foto reprodução facebook)
Uma das mais jovens e talentosas expoentes das Artes Cênicas, a
atriz, diretora e professora de teatro Erika Ferreira faleceu em Niterói no
sábado, dia 28 de março, aos 39 anos, por Covid-19. A artista –
que tinha diabetes – foi internada na terça-feira, dia 24 de março, no Hospital
de Clínicas Alameda, com dor no peito, tosse, febre e falta de ar, e não
resistiu. Horas depois à sua internação, ela já precisou ir para a UTI onde foi
mantida em coma induzindo e com respirador, vindo a falecer cinco dias depois. A
notícia de sua morte precoce causou grande comoção da classe artística das
cidades de Niterói e São Gonçalo e do estado do Rio de Janeiro.
Nascida
em São Gonçalo, Erika era diretora da companhia de teatro Agromelados e
participou de diversos trabalhos, dentre eles, o musical “É samba na veia,
é Candeia”, sobre a história do sambista. Erika se formou pela Escola de Teatro Martins
Penna, e participou como atriz de vários espetáculos, entre eles “Tirico,
a história de morros e fossos”, sendo selecionado em diversos festivais e
premiações. Ela era professora da Oficina Social de Teatro (OST) onde ajudou a
formar uma nova geração de atores, além de participar de diversas montagens
teatrais.
“Érika
era uma pessoa extremamente criativa, inteligente e uma educadora excelente com
as ferramentas de teatro. Todo nosso fazer metodológico foi sendo influenciado
pela Erika: a maneira de interagia com o aluno, os espetáculos em sua condução  eram sempre grandiosos, não só no trabalho de
ator, como também de estruturação da cena, estimulando a criação de núcleos de
figurino, cenografia, sonoplastia. O estímulo e o trabalho que a Erika
“injetou” na OST, nós pretendemos continuar”, conta José Geraldo
Demezio, diretor da Oficina Social de Teatro.
Antes de adoecer, Erika estava trabalhando nos ensaios de “Nas Águas
de Iara – a lenda da
Pequena
Sereia”
. Outro projeto em andamento era o “Moleca de pé no
chão”, que conta a história de uma
criança do meio urbano, abandonada pela
sociedade, e tendo como pano de fundo
a tragédia que aconteceu no
Morro do Bumba, com deslizamento de terra e morte, em Niterói. Segundo José
Geraldo Demezio, o sonho de Erika era de estrear este espetáculo em turnê pelas
comunidades. Ambos os projetos já estavam sendo desenvolvidos em parceria com Sylvio
Moura, dramaturgo, ator e companheiro de Erika, e terão seguimento sob a sua
condução, a partir de agora.
“Eu e Érica éramos muito parceiros, nossa cumplicidade ia além do
matrimônio. Nós nos encaixávamos: eu, como ator, escritor e na iluminação; ela
como atriz, diretora, produtora e potência criativa. Trocávamos ideias e
criávamos a todo momento. A Erika defendia a valorização de um teatro infantil
de qualidade, um gênero muitas vezes tratado como menor. Por mais que este seja
um momento triste e dor, a gente tenta ficar com o exemplo dela, focada no
trabalho e na dedicação à Arte. O Teatro não era só meio de vida, mas sim era a
vida dela”, conta em tom emocionado Sylvio.
Em nota, a Secretaria Municipal das Culturas e a Fundação de Arte de
Niterói prestaram sua homenagem à artista. Diversos atores e diretores teatrais
também demonstraram sua tristeza.
“Nossa querida amiga Erika vá em paz! Nós
que aqui ficamos, seguimos irmanados pela dor e fortalecidos no amor.
Que todo esse sofrimento mundial acabe o quanto antes
e que possamos nos transformar para melhor”, disse a diretora Patrícia
Zampirolli, através de suas redes.
“Acabo de saber. Não consigo escrever. Queria poder escrever, mas
não consigo. Os planos de você me dirigir e de atuarmos juntas, a forma alegre,
carinhosa e solidária como me recebeu na ‘Martins’, o Sarau, o Café
Literário…Quando perdemos uma artista como você, uma pessoa como você…. dói
mais. Dói muito. Todos os aplausos para Erika Ferreira!”, escreveu a atriz
Simone Kalil.
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