José Alberto Figueroa  é considerado um dos precursores da fotografia conceitual e conversará on-line com o público

Fotografia de José Alberto Figueiroa, intitulada De la serie Exilio. Olga. La Habana, 1967, que estará no Museu do MAC em Niterói. Na fotografia  em primeiro plano está um mão dando adeus a uma mulher que está em segundo plano em uma pista de avião.
De la serie Exilio. Olga. La Habana, 1967. Foto José Alberto Figueroa/Divulgação

Sucesso em São Paulo e na capital federal, a exposição ‘Um Autorretrato Cubano’, de José Alberto Figueroa chega ao Rio em formato inédito para temporada on-line e gratuita a partir de 1° de abril. A mostra será exibida até 2 de maio por meio do site do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, onde ficará hospedada, e poderá ser acessada pelo site:  http://culturaniteroi.com.br/macniteroi/

O fotógrafo cubano é considerado um dos precursores da fotografia conceitual. “O mundo virtual e os eventos online trouxeram consigo um grande benefício e permitiram um maior alcance da arte”, comenta Cristina Figueroa, curadora do evento, crítica de arte (Estudio Figueroa – Vives, Havana) e filha de José. Um bate-papo virtual com o fotógrafo está programado para o dia 29 de abril. O acesso será feito por meio do link https://bit.ly/3dw5ek1.

Realidade cubana

A exposição apresenta, por meio das fotografias, um olhar para o povo cubano e para as transformações sociais que mobilizaram o país durante as últimas seis décadas. “Cuba vive atualmente uma situação política e econômica complexa. Meu trabalho de tantos anos talvez nos ajude a refletir nossa história e aproximar um público internacional da realidade cubana”, comenta o fotógrafo, que completa 75 anos de idade e carrega mais de 50 anos de carreira.

“Pareceu-nos importante gerar uma exposição organizada por percursos temáticos e cronológicos que permitissem ao visitante criar a sua própria narração e pontos de vista sobre o nosso país. Interessa-nos que os brasileiros tenham acesso a um testemunho vivo e sobretudo autêntico.

Se ao final da visita o espectador vier com mais perguntas do que respostas, então nosso trabalho terá sido um sucesso”, pontua Cristina. O projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc – regulamentada pelo Governo do Estado, Secretaria de Cultura e Economia Criativa – na chamada “Retomada Cultural” e ainda contará com uma série de bate-papos relacionados à exposição: dias 22, 26 e 29 de abril, às 19h, através da Sympla. A mostra é produzida pela LP Artes Soluções Culturais e ficará disponível em tempo integral até 2 de Maio.

A exposição

Fotografia de José Alberto Figueroa intitulada Diana y Navarro. La Habana, 1967. na fotografia em preto e branco está  um homem sentado com um gato na mão e um cachorro ao lado. Atrás está uma mulher.
Diana y Navarro. La Habana, 1967. Foto José Alberto Figueroa

Completando 115 anos desde que foram estabelecidas relações diplomáticas entre Brasil e Cuba, a exposição reúne 69 fotografias, que vão desde a década de 60 até os dias atuais. “Figueroa sempre esteve intimamente ligado à história da fotografia brasileira.

Do ponto de vista histórico e documental, seu trabalho tem muitos pontos de contato com outros fotógrafos brasileiros contemporâneos como Walter Firmo, Nair Benedito, Juca Martins, entre outros”, comenta a curadora, que vê a exposição como uma oportunidade de mostrar ao público pela primeira vez a visão sem preconceitos do artista – testemunha ocular, por mais de 50 anos, da realidade e da vida de seu país.

Conhecido por registros que ilustram questões sociais e políticas de Cuba, Figueroa é considerado um dos precursores da fotografia conceitual, tanto em seu país de origem como em toda a América Latina. Discípulo e amigo de Alberto Korda, fotógrafo cubano que se tornou mundialmente conhecido por Guerrillero Heroico – retrato de Che Guevara, em sua obra, o artista mostra seu olhar sobre frases históricas do país.

Os registros vão desde os primórdios da Revolução Cubana, quando pôde acompanhar mudanças sociais significativas e controversas, até os tempos atuais, onde muitos cubanos estão divididos entre a saudade do passado, as frustrações do presente e uma perspectiva incerta sobre o futuro.

“José passou a fotografar elementos que representavam as reivindicações de sua geração. O ensaio Exílio, realizado a partir 1967, é bastante representativo deste período, já que retrata o processo exaustivo da migração de cubanos para os Estados Unidos”, pontua Cristina Figueroa. 

O MAC Niterói se reinventa

“O Museu de Arte Contemporânea de Niterói busca se reinventar neste momento em que vivemos. Trazer para o museu um grande fotógrafo internacional, mesmo que de forma virtual, é nossa contribuição com o processo de difusão da arte e da cultura mundial”, afirma Victor De Wolf, diretor do MAC Niterói.

José A. Figueroa se formou em fotografia na década de 60, quando já trabalhava como assistente no estúdio de Korda. Especializado em publicidade e moda, com o tempo passou a desenvolver uma carreira versátil, atuando, inclusive, como correspondente de guerra em Angola. 

“A obra de Figueroa é vasta e plural, gerada ao longo de seus 50 anos de carreira, tanto em Cuba como internacionalmente. O recorte curatorial da exposição abrange uma visão mais cronológica das circunstâncias históricas que tocaram Figueroa e representam frustrações, esperanças e utopias da sociedade cubana”, finaliza a curadora Cristina Figueroa.

“Sou um fotógrafo formado na magia da sala escura (laboratório), mas reconheço que o universo digital abre novas e inesgotáveis perspectivas e possibilidades. Acho que a força da imagem às vezes transcende seu formato e no meu caso particular para atingir meu objetivo não tenho problemas até mesmo em recorrer ao uso do celular como é o caso da minha última série “Histórias Diferidas II” em que o que também faço é fotografar uma tela de televisão”, finaliza José A. Figueroa.

Seções da exposição Um Autorretrato Cubano

Seção 1. Uma história pessoal. Décadas de 60 e 70

Esta seção é composta por fotografias do início da carreira de Figueroa nos Studios Kordae as séries A Outra Face da Revolução e Exílio, em que o artista registrou o êxodo familiar de Cuba para os EUA no começo da Revolução. Mais tarde, na década de 70, Figueroa começou a trabalhar como repórter fotográfico da revista Cuba Internacional e viajou pelo país registrando a outra face do Interior durante a inserção da sociedade cubana no modelo socialista.

Seção 2. Havana, Angola, Berlim. The fallen dreams. Décadas de 80 e 90

Esta seção inclui a viagem de Figueroa a Angola como correspondente de guerra (1982-1983) e do outro lado da guerra através dos rostos dos cubanos. Isso também pode ser notado em seu trabalho no Hospital Psiquiátrico de Havana e nos retratos de seus compatriotas. A década de 1980 foi para Figueroa o momento de transição de um país sonhado para uma realidade diferente nos anos noventa durante os anos dramáticos do chamado Período Especial em Cuba, iniciado em 1990, após a queda do regime socialista europeu. Figueroa também foi testemunha do colapso físico e moral do muro de Berlim no verão de 1990. Suas obras da década de 1990 têm uma semelhança com a vida dos habitantes de seu país: o exercício constante de introspecção.

Seção 3. Imagens atemporais

Inclui imagens icônicas de diferentes séries de Figueroa que refletem a manipulação de ícones nacionais. A bandeira cubana, o herói nacional José Martí (criador do Partido Revolucionário Cubano – PRC)  e Ernesto Che Guevara fazem parte dessa pesquisa.

Seção 4. Histórias Diferidas

Historias diferidas fala sobre os acontecimentos mais recentes entre Cuba e os Estados Unidos (2006-2021) por meio da mídia. A objetividade da notícia será dada em função de “quem” a divulga e “onde” é emitida. Figueroa fotografa telas de televisão metodicamente, como uma testemunha passiva e imóvel que, como todos nós, só pode fazer parte da História de forma diferida.

Acesso pelo site:

Classificação indicativa: Livre

BATE-PAPOS :

22/04 – 19h – CRISTINA FIGUEROA E VICTOR DE WOLF

Um bate papo com a curadora da mostra, a cubana Cristina Figueroa e o diretor do MAC Niterói Victor De Wolf sobre a construção da narrativa da exposição e o mercado de arte em Cuba.

Mediação: Luisa Pinheiro

Acesso: https://bit.ly/3dw5ek1

26/04 – 19h – EDUARDO MARCHESAN, FELIPPE MORAES E SYLVIA WERNECK

As relações entre Brasil e América Latina na arte contemporânea.

Nesse bate papo o assunto será a produção artística Latinoamericana, fotografia e arte contemporânea.

Mediação: Felippe Moraes

Acesso: https://bit.ly/3dw5ek1

29/04 – 19h – JOSÉ A. FIGUEROA

Um bate papo com o artista José A. Figueroa sobre seus 55 anos de carreira, Cuba e o mundo.

Mediação: Luisa Pinheiro

 Acesso: https://bit.ly/3dw5ek1

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