Por Luana Dias

Atualizado às 16:25

Flavinho Machado e Heraldo Faria foto Hyrinea Borneo Morre Flavinho Machado, um dos maiores compositores de samba do Brasil
Flavinho Machado e Heraldo Faria (Foto: Hyrinéa Bornéo)

Faleceu na madrugada desta segunda-feira, o compositor, cantor e sambista Flavinho Machado. O compositor estava internado no CTI do Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, e, segundo o filho, Flávio Machado, ele veio a falecer após complicações respiratórias. Nascido em  Niterói, no dia 26 de novembro de 1946, Flavio Jorge Souza Machado foi criado e formado no mundo do samba. Com influência de seus pais – a mãe, uma das fundadoras da GRES Sabiá, e o pai, componente da GRES Corações Unidos e um dos fundadores da Império do Serrão, escolas tradicionais de Niterói, ele começou a sua trajetória como compositor em 1972, na escola de samba Império de Niterói, mas foi na Acadêmicos do Cubango que alcançou a glória com diversos sambas.

A partir daí – com a formação de uma parceria brilhante com Heraldo Faria – Flavinho Machado consagrou seu nome na história do Samba: em 1980, foi campeão novamente com o samba “Mundo Mágico”; em 1980. Em 1981, mais um samba que ficou marcado para a história: “Fruto do Amor Proibido” até hoje é reverenciado por críticos de música e historiadores do mundo do samba.

Com o crescimento de sua reputação, Flavinho foi convidado a integrar a ala de Compositores da GRES Mangueira, onde foi consagrado campeão em 1982 e 1983.

Flavinho Machado foto Hyrinea Borneo Morre Flavinho Machado, um dos maiores compositores de samba do Brasil
Flavinho Machado (Foto: Hyrinéa Bornéo)

Na década de 90, ele abria uma nova temporada de vitórias, desta vez, na Unidos do Viradouro, ao lado de Heraldo Faria. Eles se sagram campeões em 1992 – “O sol brilhará..”; 1993, com o enredo “Amor Sublime Amor”; em 1996 “Aquarela do Brasil, ano 2000”; e em 1997, com o enredo que trouxe o primeiro campeonato da Viradouro no Grupo Especial, com o enredo “Trevas! Luz! A explosão do Universo”.

Flavinho volta a ganhar na vermelho-e-branco em 2009, com o enredo “Vira Bahia, Pura Energia”.

Na Acadêmicos do Cubango, Flavinho Machado foi ainda campeão no Carnaval 2005, com o enredo “o Fruto da África De todos Os Deuses No Brasil de Fé: Candomblé”. 

Um compositor de primeira que tinha como marca registrada a humildade

Do início até o fim de sua carreira, Flavinho Machado se destacava pela humildade e generosidade com que se relacionava com todas os segmentos das escolas pelas quais passou. Um compositor capaz de ensinar com calma e paciência para as novas gerações, e improvisar após algum acontecimento ou momento marcante, como relatou em entrevista para a minha monografia de final de curso “Comunicação e comunidade: a nação cubanguense”, apresentada em 2004, para a Faculdade de Comunicação da UERJ. Na ocasião, numa entrevista antológica ao lado de Ney Ferreira – fundador da Acadêmicos do Cubango – e do jornalista Mário Dias, Flavinho contou a história de uma discussão que Marçal Branco, um dos diretores e baluarte da escola, havia tido com um diretor de uma agremiação do Rio, na qual ele havia desrespeitado e insultado as raízes da verde-e-branca de Niterói. Flavinho então compôs imediatamente este samba de resposta, que relembrou em ocasião da entrevista:

Flavinho Machado com Marcal Branco e o jornalista e conselheiro do Cubango Mario Dias foto Hyrinea Borneo Morre Flavinho Machado, um dos maiores compositores de samba do Brasil
Flavinho Machado com Mario Dias e Marçal (Foto: Hyrinéa Bornéo)

“Não fale mal da nossa escola

Exigimos respeito ao nosso pavilhão

A nossa velha-guarda vai sentir

As nossas baianas vão chorar

Se não tens argumento

Procures em outro lugar

De quem estou falando

É a verde-e-branco tradicional

É a querida Cubango

Campeã de muitos carnavais

É sangue, é garra, é paixão

Por isso não admitimos que venha ferir a nossa tradição”

Personalidades do mundo do samba e família expressam a dor da perda

Um dos maiores parceiros de Flavinho Machado, Heraldo Faria foi um dos primeiros a expressar seus sentimentos após o falecimento, via redes sociais:

“É muito difícil expressar a dor que fica quando se perde um amigo, parceiro e irmão. Flávio Machado, obrigado por ter existido em minha vida e até breve”.

O radialista e compositor André Freitas também expressou sua tristeza através das redes:

“Flavinho Machado, um grande amigo, de quem um dia foi meu ídolo e depois tive a honra de ser parceiro em várias composições, partiu deste mundo físico e deixa um imenso legado no mundo do samba e do carnaval. Deixa, também, uma enorme lacuna. Uma pessoa maravilhosa, simples, de caráter moral e ético elevadíssimos. Minhas condolências à família, em especial à sua esposa, Dona Silvia”.

Da família, o filho Fábio Machado, expressou sua dor de forma reservada. Alegando ter herdado a timidez e calma de seu pai, disse à reportagem:

“Estou sem palavras. O meu desejo é que meu pai descanse em paz”. 

A sobrinha Laresilvia Pascoal também expressou sua dor através das redes: “Obrigado por tudo, meu tio, que sempre cuidou de mim com todo amor. Descansa em paz! Está doendo muito”, desabafou.

“É com muita tristeza e com profundo pesar que lamento o falecimento prematuro do nosso amigo e compositor Flavinho Machado. Foi atraves dele – junto com Heraldo Faria e João Belém – que foi elevado o nome da Acadêmicos do Cubango pela primeira vez na cidade do Rio e para todo o Brasil, porque até então era somente uma escola conhecida em Niterói. A família cubanguense e sua diretoria reverencia sua dedicação e pelos seus cinquenta anos honrando a bandeira verde-e-branca”, afirmou em nota Rogério Belisário, presidente da Academicos do Cubango

Flavinho Machado deixa a companheira Silvia Monteiro, além do filho Fábio, a enteada Glaucia, sobrinhos e toda uma família – e história – dedicada à cultura brasileira e ao samba carioca.

A família informa que o sepultamento está previsto para 17h no Cemitério do Maruí

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