Amigos e autoridades lamentaram a morte do jornalista

Mario Dias e Bagueira

Logo após tornar-se pública a triste notícia do falecimento de Mario Dias, dezenas de amigos, jornalistas e autoridades do Estado do Rio se manifestaram e relembraram momentos marcantes da carreira profissional e da vida do jornalista. O JORNAL CASA DA GENTE traz alguns trechos destes depoimentos, nesta homenagem a este profissional, que também foi o fundador e membro do Conselho Editorial deste veículo. 

Quando pensei em revitalizar o carnaval de Niterói, a primeira pessoa que me veio à mente foi o jornalista Mário Dias. Niterói se despede hoje desse grande amigo da cidade. Excelente profissional e um dos maiores amantes do samba da cidade. Era apaixonado pela Cubango, mas torcia para o sucesso de todas as escolas de Niterói. Tive a oportunidade de homenageá-lo no início da minha carreira política e, mais tarde, quando realizávamos, com a sua inestimável ajuda, o Dia do Samba na Câmara de Vereadores de Niterói. Mario Dias fará falta e meus sentimentos aos familiares e em especial aos filhos, Soraya, Mario e Luana – Paulo Bagueira, vice-prefeito de Niterói

O amigo que o destino me deu, com régua e compasso. 

Mario Dias e Vinicius Martins, no registro em 1996

24/03/2021. Se desse, com certeza ele iria fazer aquele malabarismo para cercar nas 12 e tentar a sorte no bicho, com as milhares invertidas, cortadas pra lá e pra cá. E tome duque de dezena, centena e milhar. E aposta nas três loterias, inclusive na corujinha das 21horas. 

A data de hoje, esse 24 de março desse escroto ano de 2021 encerra um ciclo. O amigo Mário Dias cansou dessa e foi contar histórias e mais histórias em outras paragens e paisagens. De certo, já está sentado ao lado do homem, contando histórias e tentando fazer algum tipo de evento para os muitos que virão nesses tempos difíceis de pandemia. 

Quis o destino que esteja eu sentado no mesmo cantinho onde lhe conheci em 1989. Neste sexto andar do gabinete do prefeito de Niterói. Outros tempos. De lá para cá muita coisa mudou, mas a nossa amizade, inabalável, só se fez mais forte. 

Mario me ensinou muito. Principalmente o de como sobreviver na minha profissão. Me rebatizou: “Escolhe um nome para assinar suas matérias”, me disse em tom impositivo. Nasceu o Vinícius Martins e ficou pra trás o Vinícius que chegou de Rio Bonito só para estudar e voltar. Nunca mais consegui voltar. 

Formei família com Mário Dias ao lado. Nasceu a primeira filha, Mario Dias do lado. A segunda ficou doente, internada, Mario Dias do lado. Vamos comemorar a vida, Mario Dias do lado. Vamos viajar, Mario Dias do lado. 

Vi e convivi com quase todas as suas aventuras. Escreveu livro (três). Com o primeiro, andamos pelas faculdades do Rio para ele dar palestras a alunos ávidos por suas histórias. Muitas inverídicas e inacreditáveis. Outras tantas com comprovação nas publicações do O Dia, da época do Doutor Chagas Freitas, com quem tinha orgulho da amizade com o filho do ex-governador. 

Como assessor de imprensa de Jorge Roberto Silveira segurou alguns rabos de foguete. Com João Sampaio idem e com Godofredo também. Mas nada, nadinha, fazia com que ele deixasse de chutar o balde em janeiro e fevereiro e participasse da sua maior paixão, que era cobrir o desfile das escolas de samba na Marques de Sapucaí. Ali, virava o pinto no lixo. 

Mario Dias, meu amigo, deixa uma legião imensa de amigos. Muita gente que gostava das suas histórias, do seu papo, do seu bom humor, da sua vida. 

Viva, Mario! – Vinicius Martins, jornalista

Mário Dias, meu abraço, o céu te recebe.

Mario Dias e Mario Sousa

Mario Dias, meu amigo, meu irmão. Trabalhamos juntos em vários espaços da Comunicação Social, na Prefeitura de Niterói e na Neltur. Era impressionante sua rotina de trabalho, 24 horas no ar, da redação ao samba, nos encontros com amigos, na vida pessoal. Nunca vi ninguém com esta capacidade e este fôlego! Mário Dias era um profissional completo, como repórter e editor. Tinha uma precisão cirúrgica da notícia e do furo de reportagem. Além de mestre no jornalismo, era mestre no samba e no carnaval. Fez muito pelo desfile das escolas de samba e pela revitalização do carnaval de Niterói, foi também pioneiro na realização do réveillon da cidade. 

Vivemos momentos profissionais e pessoais muito fortes. Perdi um grande amigo e irmão: generoso, solidário, talentoso, trabalhador e com uma capacidade intensa de vida e de alegria. 

Faltou a despedida, a festa, o samba, os amigos, o chope, a cuíca, o abraço, sua alegria… Veio a distância com a pandemia, a saudade, o choro, uma dor que nos tocou na alma e nos paralisou. São tantas lembranças, vivências e confissões como se fôssemos padres e confessos um do outro. E éramos…

Mário, tenho certeza que, neste momento de silêncio, você diria: “Não quero choro nem vela…”; “Não deixe o samba morrer…”; “Qual é o palpite de hoje?”. Mas a vida desconcerta, impacta, emociona e abre um grande espaço vazio. 

Amigo, tenho certeza de que está me ouvindo, às gargalhadas, feliz! 

De tudo que ficou e ficará, os amigos, os filhos, os netos, a família, ainda deu tempo de você conhecer sua linda neta caçula, Charlotte, que nasceu trazendo uma nova luz e mostrando que é preciso continuar a caminhar. 

Tenho certeza que São Jorge (de quem você era devoto e ajudava tanto à igreja), o samba e o sincretismo da proteção dos orixás, o conduziram e abriram o céu para você chegar! 

Siga em paz meu irmão! Por aqui, você estará sempre presente em mim, e na legião de amigos que sempre lembrarão de você em tantas histórias e estórias por contar. Abraços no seu coração imenso no universo. Mário Sousa, jornalista

Duracelzinho hoje não deu conta, ouviu o chamado e se foi.

Nos deixou a todos órfãos de Mário Dias, de suas histórias hilárias, de suas lendas que, de tanto ouvirmos, não sabíamos, nem ele mesmo acho que sabia mais, se realmente havia acontecido ou não. Eu fazia par com Solange Duart como as “amigas que pra mim são homem” e, assim, foram quase 40 anos de amizade. Quantas vezes fui acordada às 8h, depois de chegar em casa às 4h, com “vambora, acorda pra praia. Vai perder tempo dormindo p…” E, inevitavelmente, eu dizia “caraca, que horas chegamos ontem? Essa duracel que botaram no teu coração não pára não, é!

Quem via Mário ali, a mil no meu Brasil, não imaginava o quão família ele era. Irmãozão, paizão, daqueles que não mexe com os meus não”. E eu, graças a Deus, como uma das “amigas homem”, pude aproveitar também um pouco desse Mário protetor “liga quando chegar em casa, hein, não vai esquecer”; “entra logo que vou ficar esperando você entrar” .

Rimos muito, muito e muito. E hoje, o povo no Céu vai ver o que é bom pra tosse por terem decidido levar Mário. Acabou aquela história de viver em paz, de andar suavemente nas nuvenzinhas. São Jorge que se segure no cavalo que essa noite ninguém dorme por aí. Meu amigo, sua “irmãzinha” aqui vai guardar suas histórias pra ainda darmos juntos muitas risadas com elas. Seu São Jorge e meu Miguelito, com certeza, estão te esperando com um abraço do tamanho do mundo. E, nós, seu mundão de amigos, continuaremos vivendo e revivendo Mário Dias por aqui. Simone Botelho, jornalista

Mário Dias: a grandeza de uma vida.

Era um valioso humano respeitado em vida. Um tesouro que teria de ser resguardado para a eternidade.

Mário da Fonseca Dias. Transmitia alegria e era bom em tudo que fazia. Era parte da minha memória, minha fonte de consulta. Meu parceiro em muitos campos.

Excelente repórter de polícia, era daqueles repórteres presente nos locais das ocorrências. Sabia apurar, investigar e bem redigir. 

Lembro-me de sua atuação no “O Dia” em episódios marcantes como a caçada ao “Cara de Cavalo”, em Cabo Frio, e no estranho episódio por ele narrado em livro sobre o “Mistério das Máscaras de Chumbo”, no pico entre Piratininga e o Parque da Colina.

Foi diretor da sucursal do jornal do “Dr. Chagas”. Trabalhou em vários outros, inclusive no vídeo. Era produtor artístico, atuou na TV e criou, com a filha, o seu semanário.

Carnavalesco praticamente, comandava ensaios e desfiles. Até gerou criativo bloco envolvendo jornalistas. Ao lado de Ivan Costa, Ary Guanabara e Ernesto Luz, além do irmão Jesuíno, produzia as páginas sobre o Reinado de Momo, tanto em “A Tribuna” como no “Jornal de Icaraí”.

Na noite de 20 de abril de 1972, quando a DOPS invadiu o jornal e iniciou rigorosa censura, inclusive favorecida pela proibição de citar prisões políticas, deu o recado indireto aos leitores estampando o triângulo mineiro envolvendo a figura do mártir Tiradentes e com o lema da Inconfidência Mineira:  “Libertas quae sera tamen”.

Com a ordem de que este mineiro não poderia se manter na direção dos dois jornais, o expediente e o cabeçalho apresentavam o nome do diretor responsável por aquelas edições: MÁRIO DIAS.

Cardíaco recuperado pelo seu amigo Salvador Borges Filho, escreveu o livro: “CTI, a antessala da morte”.

Criativo e atento a tudo, estranhou o silêncio sobre a fusão GB-RJ, mas idealizou uma seresta na Praça de São Domingos – onde a Realeza transformou a Vila em cidade e em Capital – para se despedir da capital que no seguinte atravessaria a Baía de Guanabara. 

Formou muitos profissionais, inclusive o seu irmão Jesuíno Dias.

Durante três meses fracassei na missão de reencontrá-lo. Reclamei à sua filha – em cuja casa, em Cunha, SP ele havia se recolhido por um tempo – de não poder vê-lo. Pedi que me procurasse pelo telefone. Soube tardiamente que o talentoso amigo estava com fraca memória, sofrendo e tendo sido operado duas vezes, a última, no Santa Martha, onde faleceu às 13 horas do dia 24 de março.

Este repórter, sua esposa e seus dois filhos adoravam o Mário. 

Somos todos sofredores destes Dias em que sentimos e lamentamos a falta de um homem que honrou Niterói, o jornalismo e o samba. Amante da alegria, mas que nos deixou em profunda tristeza com sua partida. Jourdan Amora, jornalista (texto originalmente publicado em A Tribuna)

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