A série “Apaixonados pelo Samba” conta a história do professor e compositor Felipe Filósofo

Fil25C325B3sofo2Bno2Bsamba O Filósofo do Samba
‘Filosofando’
(fotos acervo pessoal)
Felipe Ribeiro Siqueira, 35 anos: quem vê este nome na carteira de
identidade não tem idéia de quem seja.  Segundo o próprio, esta pessoa “já
morreu”: agora, só existe Felipe Filósofo. Professor – ou
“provocador” como prefere ser chamado – de Filosofia para alunos do
Ensino Médio em Niterói e São Gonçalo, Felipe é também cantor e compositor,
autor de dezenas sambas-enredos premiados no Carnaval.
Felipe Filósofo mora numa casa no bucólico bairro do Rio do
Ouro,  na companhia do galo Lampião, seu
fiel escudeiro, e de sua mãe, sua principal apoiadora. Apreciador do jeito
simples de viver, ele tem uma forma peculiar de compor:
” Meu método é o que chamo de Antropofagia amorosa. Eu
devoro todos os sentimentos amorosos que o mundo pode proporcionar, ‘rumino’ e
depois devolvo pro mundo em forma de notas musicais. Filosofia não se aprende,
se aprende sim, a filosofar”, define Felipe.
A origem da paixão pela música vem da Seresta: no quintal da
sua casa, seu pai – sr. Darcy, falecido em 2008 – realizava várias noites de
festa.  Em seguida, veio o interesse pelo
Samba de Partido Alto, que foi quando Felipe começou a compor.
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“Professor-provocador”: aulas de Filosofia pouco convencionais
O apelido – que virou sua marca registrada, veio antes mesmo
dos tempos de Faculdade.
“Quando cursava ensino médio, meu avô faleceu, e meu
tio resolveu me dar um livro do Platão sobre a Morte, chamado Fédon. Numa das
passagens do livro, um escravo pergunta para o Sócrates: o que você faz da
vida? E ele respondeu que ele era músico. Porque filosofia é música para a
Alma. Então, me apaixonei e comecei a estudar filosofia por conta própria”,
conta.
A busca por uma oportunidade o levou para o mundo do
samba-enredo: quando ainda era um compositor desconhecido, era difícil que
alguém o deixasse cantar numa roda de samba. “Numa escola de samba era
mais fácil; após entrar na Ala de Compositores, você tem certeza de que pelo
menos na primeira eliminatória, o samba será cantado. O samba-enredo me abriu
muitas portas”, afirma.
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O galo Lampião: fiel escudeiro
Na lista de sambas campeões estão os hinos da Acadêmicos do Sossego,
em 2012, 2013, 2015, 2016 e 2017; e os sambas da Unidos do Viradouro nos anos
de 2012, 2016 e 2017. No ano passado a composição da sua parceria conquistou
também um Estandarte de Ouro de Melhor Samba-Enredo para a escola vermelha-e-branca.
Ele ganhou também inúmeros sambas na Escola de Samba Unidos da Região Oceânica,
além de compor por 13 anos seguidos no Bloco Cachiblema.
Felipe Filósofo faz parte também de um movimento chamado
“Samba na Fonte” que atualmente se apresenta no “Vaca
Atolada” na Lapa, e no casarão da Pedra do Sal. É um movimento onde o
compositor precisa apresentar músicas inéditas e autorais.
IMG 20170124 WA0046 O Filósofo do Samba
Com a mãe: fã e incentivadora
“Falta poesia no mundo, as pessoas estão insensíveis, e
a filosofia tem um objetivo que é a trindade filosófica: liberdade, amor e
imaginação, pela via da beleza. A aliança filosofia e arte é importantíssima. Compor
é você juntar fragmentos de beleza  na
atmosfera da vida, e é por isso que eu componho”, finaliza.

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