Na mostra “VR: Realidade Virtual”, o
Festival do Rio exibe gratuitamente curtas com a tecnologia que coloca o
espectador dentro do filme

Realidade Virtual Imersiva, nova fronteira do cinema e do olhar
Exibição em VR no Festival Varilux neste ano
Por Cristiana Giustino*

Algumas
pessoas já devem ter visto por aí alguém com óculos gigantes se movendo em 360º
graus em busca de algo, como se não houvesse nada mais a sua volta. Ledo
engano. O sujeito tem algo a sua volta sim, um universo virtual e paralelo.
Trata-se de alguém experimentando a sensação da Realidade Virtual Imersiva (ou
VR, sigla de virtual reality), seja em um filme, um jogo ou em qualquer outro
conteúdo audiovisual com narrativas capazes de se adaptarem a esta nova
tecnologia, ainda pouco conhecida entre os brasileiros. Com os óculos de VR, o
espectador “entra” na cena do filme, não como um influenciador da narrativa
(esse papel, por ora, cabe aos jogos em VR), mas como um voyeur desapercebido.


Em sintonia
com os principais festivais do mundo, o Festival do Rio realiza pela primeira
vez uma mostra dedicada ao VR, possibilitando que esta nova tecnologia seja
experimentada e conhecida pelo público. Entre os dias 12 e 15 de outubro, o
Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, abriga a mostra, com uma
seleção de experiências únicas de imersão total. São obras de ficção, documentário,
animação e jogo em VR que poderão ser experimentadas gratuitamente. Mas
prepara-se para eventuais filas, já que estarão disponíveis “apenas” 8 óculos.
O “apenas” está entre aspas porque estamos falando de uma tecnologia ainda
pouco acessível financeiramente. Cada um dos óculos pode sair por cerca de 600
dólares. Mas uma coisa é certa. Se você conseguir assistir a um dos cinco
filmes disponíveis, sua concepção de cinema nunca mais será a mesma.



            A experiência VR em “I, Philip”, um dos curtas de ficção 
exibidos no Festival do Rio

A Realidade
Virtual Imersiva traz consigo uma série de mudanças na nossa percepção do
conteúdo audiovisual. No cinema, o VR expande não só o frame, mas também a
narrativa, gerando numerosas possibilidades de se contar uma história. O diretor
do filme deixa de ter a primazia sobre o direcionamento do espectador, que
agora pode olhar para onde ele quiser, até mesmo para o local onde não esteja ocorrendo
nada que afete a história contada. Por outro lado, a sensação de imersão no
ambiente da narrativa é mais efetiva, ampliando a capacidade de empatia e
aproximação emotiva com o tema desenvolvido, o que ocorre especialmente nos
documentários em VR. Além dos óculos, principal instrumento da Realidade Virtual
Imersiva, existem outras camadas de imersão que ampliam estas sensações, como o
4D, que utiliza som, cheiros e movimentos da poltrona, em salas que já existem
nos EUA e na Holanda. Mesmo estando em uma sala de cinema, a experiência deixa
de ser coletiva, passando a ser individual, já que a fruição do conteúdo varia
para cada espectador.


Grandes
diretores já estão filmando em VR. O mexicano Alejandro Iñárritu lançou este
ano no Festival de Cannes “Carne e Areia”, filme sobre imigração. E Spielberg
está finalizando “Jogador Número 1”. 
No Brasil, a tecnologia ainda é muito
incipiente.“
SteptotheLine”, filme dirigido pelo brasileiro
Ricardo Laganaro, da O2 Filmes, foi exibido no Tribeca Film Festival 2017.
Outros diretores, como Fernando Meirelles, têm projetos em curso.

No Rio de
Janeiro, não é a primeira vez que o temos uma ação da proporção proposta pelo
Festival do Rio. Em abril deste ano, o Oi Futuro Flamengo abrigou por mais de
um mês “
Cartas a Lumière”, obra de Fabiano Mixo. No vídeo imersivo, que tem
como cenário a Central do Brasil, o artista visual explora as multidões que passam
diariamente por lá. Traça um paralelo entre as reações do público do
Grand Café de Paris ao primeiro filme dos Irmãos Lumière, em 1895, e a excitação
contemporânea diante da Realidade Virtual. Também este ano, o Festival Varilux de
Cinema Francês exibiu oito curtas em VR.

MOSTRA VR NO
FESTIVAL DO RIO

PROGRAMA 1
(20 min)
Altération –
Ficção | França, 2017 (20 min)
Uma viagem
poética para o futuro. Alexandro é voluntário numa experiência de estudo dos
sonhos. O que ele não sabe é que sofreria a intrusão de Elsa, uma inteligência
artificial que analisa e assimila seu inconsciente para se humanizar.

PROGRAMA 2
(38 min)

<<< Sergeant
James – Ficção | França, 2017 (7 min)
É hora de
Léo ir dormir, mas ele acredita que há alguma coisa estranha debaixo da cama.
Seria apenas a imaginação de um menino ou algo mais sinistro?
+
I, Philip –
Ficção | França, 2016 (15 min)
Um
engenheiro de robótica revela sua mais nova invenção: Phil, um androide que é
uma cópia do autor de ficção científica Philip K. Dick.
+
I Am Rohingya
– Documentário | Qatar, 2017 (8 min)
Jamalida
adora dança. Ela é uma muçulmana Rohingya que, depois de fugir de Myanmar, país
que não a considera cidadã, vive em um campo de refugiados em Bangladesh.
+
Oil In Our Creeks – Documentário | Qatar, 2017 (8 min)
Lessi
Phillips tinha 16 anos quando um oleoduto explodiu perto de sua aldeia. Quase
dez anos depois, ela nos mostra a devastação ambiental que afetou sua
comunidade.
Os programas
1 e 2 estão em cartaz continuamente de 12 a 15 de outubro, das 14h30 às 19h.

GAME
The
Last Squad – Um jogo Arkave VR Brasil, 2017 (5 min)
Arkave VR é
uma arena de jogos em Realidade Virtual onde as experiências mais imersivas,
conectadas e emocionantes podem ser vividas. No jogo The Last Squad você deve
defender a última base na Terra da invasão de alienígenas.
O game está
em cartaz apenas no dia 14 de outubro, das 14h30 às 19h.
O Centro
Cultural da Justiça Federal fica na Av. Rio Branco, 241 – Centro. Entrada
gratuita.

*Cristiana Giustino é pesquisadora de
conteúdo e analista de projetos culturais
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