Além dele, realizadores queridos do
público cinéfilo presentes em corpo e filmes no reconhecido festival português


Por Cristiana Giustino*

Parece que
foi ontem, mas já se passaram 20 anos do lançamento do aclamado Central do
Brasil. Este e mais sete filmes de Walter Salles serão exibidos no Leffest – Lisbon
& Sintra Film Festival – que chega a sua 12ª edição. O público poderá rever
marcantes títulos do diretor, como Terra Estrangeira (1995), Abril Despedaçado
(2001) e Diários de Motocicleta (2004).

O Leffest exibe
mais de 160 filmes entre os dias 16 a 25 deste mês, ocupando espaços das
cidades de Lisboa e Sintra. Além de mostra competitiva, seleção oficial e
retrospectivas, há mostras fotográficas, ciclos de debates e lançamento de
livro.

Sessões disputadas

Dentre os
títulos que certamente terão sessões concorridas estão Beautiful Boy, com Steve Carell e Timothée Chalamet (de Me Chame
Pelo Seu Nome), inspirado no best-seller autobiográfico do jornalista David
Sheff, que conta a história do seu filho, viciado em drogas; Roma, de Alfonso Cuáron, vencedor do
Leão de Ouro no Festival de Veneza, em que o realizador mexicano evoca sua
infância através da história de uma família da classe média do bairro de Roma,
na Cidade do México dos anos 1970.

 Roma, baseado nas
lembranças de infância do diretor

Também
disputados o drama familiar L’Homme
Fidèle
, de Louis Garrel, com ele e Lily-Rose Depp (The Dancer); Vox Lux, de Brady Corbet (ator de
Melancolia), com Natalie Portman e Jude Law, sobre a trajetória de uma cantora
pop sobrevivente de um massacre; Blaze,
de Ethan Hawke, filme biográfico sobre o músico country Blaze Foley; o
provocativo The House That Jack Built,
de Lars von Trier, sobre um serial killer e seus crimes ao longo de 12 anos.

Vox Lux, possível
indicado ao Oscar 2019

Da Itália
vem dois destaques. O siciliano Luca Guadagnino, diretor do oscarizado Me Chame
Pelo Seu Nome, apresenta o remake de Suspiria,
clássico filme de terror dos anos 1970 realizado por Dario Argento. Na nova
versão temos Tilda Swinton (de Grand Hotel Budapest), Dakota Johnson (da saga Cinquenta
Tons) e Chloë Grace Moretz (de Lugares Escuros). A trilha sonora é de Thom
Yorke, do Radiohead. Ou seja, o filme tem tudo para virar um novo cult. Do
napolitano Paolo Sorrentino vem Silvio e
os Outros
, ficção sobre um ambicioso jovem cuja meta é mudar-se para Roma e
chegar perto de Berlusconi por meio do tráfico de mulheres.

O novo Suspiria, de Guadagnino

Modesta presença brasileira

Não fosse
pela homenagem a Walter Salles, a presença do Brasil no Leffest’18 passaria
quase desapercebida. O destaque é o novo filme de Júlio Bressane, o surrealista
Sedução da Carne, em que Mariana
Lima é uma viúva que conversa com o seu papagaio e é observada por uma grande
porção de carne crua.





















seducao2Bcarne Walter Salles é um dos homenageados no Lisbon & Sintra Film Festival
Sedução da Carne:
metáfora da árdua realidade da 
agricultura no Brasil

Como reflexo
da guinada global ao populismo de direita, acontece o Ciclo temático “Neoliberalismo: A Semente do Populismo e
dos Novos Fascismos?”,
em que o Brasil também está presente com a exibição
do média-metragem Blábláblá (1968),
de Andrea Tonacci, que apresenta os momentos de tensão de três pessoas durante
a ditadura civil-militar do Brasil: um político, um revolucionário e um cidadão
comum.

Há ainda na
programação do Leffest’18 três coproduções das quais o Brasil faz parte: As Herdeiras, de Marcelo Martinessi,
sobre o drama de um casal de mulheres que se vê subitamente separado em
consequência de problemas financeiros; Rojo,
de Benjamin Naishtat, thriller sobre o drama de um advogado bem-sucedido na
Argentina da década de 1970; e Caminhos
Magnetykos
, de Edgar Pêra, com a participação de Ney Matogrosso.

As Herdeiras, coprodução
de seis países, dentre os quais 
Brasil e Paraguai

Retrospectivas e Homenagens

O Leffest
destaca a obra de David Lynch, o icónico realizador norte-americano conhecido
por filmes como Mulholland Drive e a série de TV Twin Peaks. Serão exibidos
alguns dos seus trabalhos ao longo dos últimos doze anos. Lynch tem um lado
fotógrafo – bem, em tese, todo diretor de cinema tem um “lado fotógrafo”, mas
poucos o expressam em exposições de quadros únicos – e o Leffest apresenta duas
mostras: Small Stories, com suas
fotografias, e Psychogenic Fugue,
sobre sua obra. Será lançado também o livro Espaço para Sonhar, que Lynch assina com a escritora Kristine
McKenna.

Além de
Salles e Lynch, também há retrospectivas dedicadas ao britânico Mike Leigh,
Paul Schrader, Mario Martone, Darezhan Omirvayev e ao português João Botelho.


*Cristiana
Giustino é gestora e produtora cultural