Documentário de Janaina Dalri, ‘Zuza Homem de Jazz’ teve estreia com sessão de gala no Festival do Rio. O filme refaz andanças e recordações do crítico, jornalista, radialista e musicólogo pelo Brasil e pelos clubes de Nova York, onde viu apresentações de alguns dos maiores nomes do gênero musical  
Marcella Vieira*
Screen2BShot2B2018 10 032Bat2B2.01.112BPM Zuza Homem de Mello numa homenagem ao jazz e à música brasileira
Um ode à música e à paixão pelo jazz. É o que fica explícito em cada cena, cada depoimento, entrevista, caminhada, conversa, encontro e lembrança de Zuza Homem de Mello neste documentário dirigido por Janaina Dalri e produzido pela Cine Group. Musicólogo, crítico, jornalista, radialista, Zuza fala sobre seu amor pela música, encontra amigos no Brasil e nos Estados Unidos que compartilham com ele seu amor não só ao jazz, mas também à música brasileira, especialmente o samba e a Bossa Nova. “Zuza Homem de Jazz” teve sessão de gala na segunda-feira (5/11), no Estação Gávea, como parte da programação da Première Brasil do Festival do Rio. Na exibição, o protagonista foi convidado especial e recebeu muitos aplausos antes e depois do filme. 
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A importância da dança, o ritmo, o jazz como resistência são alguns dos assuntos que transbordam na tela, entre notas e álbuns, entre várias recordações. O documentário acompanha um período recente da vida de Zuza nos dois países. Lá, ele visita antigas casas de shows que frequentava na Nova York dos anos 1950, quando estudava na prestigiada Juilliard School of Music, e encontra amigos de muitas décadas (músicos, críticos, jornalistas). Aqui, um pouco de sua rotina no programa semanal Playlist do Zuza – que ele comanda desde 2017 na Rádio USP -, além de conversas com amigos e, principalmente, lembranças, muitas lembranças. 
As mais interessantes – e com excelentes imagens de arquivo – são as do São Paulo – Montreux Jazz Festival, em 1978. É de cair o queixo a quantidade de grandes artistas do gênero que vieram ao Brasil participar do evento, um sucesso na época que deu origem ao Free Jazz Festival e depois ao TIM Festival. Todos com a curadoria de Zuza. No vídeo e nas lembranças, as participações de Dizzy Gillespie, Taj Mahal, Egberto Gismonti, Al Jarreau, Benny Carter, George Duke, Etta James, entre outros grandes nomes. E Hermeto Paschoal chamando Stan Getz ao palco é impagável!  
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A alegria de Zuza e seu amor genuíno por cada história contada e por cada memória afetiva despertada em suas conversas, lembranças e passagens transbordam emoção na tela. É um filme feito de conversas entre velhos amigos, entre boas histórias e entre muitos acordes. O filme segue à risca os preceitos de um documentário do tipo (que são especialmente feitos para o formato TV): encontro, depoimento, entrevista, imagem de arquivo, encontro, conversa, depoimento, entrevista… e por aí vai. Não é demérito. As histórias são suficientemente fortes pra fazer valer a pena. Se há uma nota a ser observada, porém, é o fato de que, em alguns momentos, parece que a direção fica a cargo do próprio Zuza. É ele o guia e não a diretora. Também não é demérito. É o que se espera do filme. Fica apenas muito perceptível.          
“Zuza Homem de Jazz” é um filme que respira música, que respira jazz. Por isso mesmo, é fortemente indicado para todos aqueles que também amam música. Mas mesmo aqueles que não amam (ou que acham que não) podem assistir sem receio: tudo fica mais fácil com a vivacidade de uma das maiores referências de conhecimento musical que o Brasil já teve.  
Para assistir ao trailer do filme, clique aqui
      
*Marcella Vieira, jornalista, está na cobertura do @Festival do Rio pelo Jornal Casa da Gente.