Pesquisa e campanhas refletem sobre o racismo e a sua influência no mercado de trabalho para a juventude negra em Niterói e SG

Paula Latgé *
Fotos2BQual2BPerfil2B03 Qual Perfil?
Você já se questionou
se foi vítima de racismo? Ou já se perguntou se teve algum comportamento
racista? Falta de oportunidades na educação, mercado de trabalho excludente e
preconceito integram a realidade da população negra. Diversos jovens negros escutam nas entrevistas de emprego que “não
estão no perfil”, mesmo antes de terem seus currículos analisados.

Onde se esconde o racismo, se é tão negado pela sociedade? Afinal, aonde vive o
racismo dentro de nós?
A pesquisa “A
Incidência do Racismo sobre a Empregabilidade da Juventude em Niterói e São
Gonçalo” foi desenvolvida pela “Frente PapaGoiaba de Promoção dos Direitos da
Juventude Negra” e articulada pela Bem TV – Educação e Comunicação, em parceria
com a Faculdade de Estatística da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), com o apoio da União Europeia e revelou que, no município de Niterói,
32,7% dos jovens entre 15 e 29 anos está desempregado, mais do que na Síria, em
guerra civil. Já em São Gonçalo, 34,7% da juventude não tem emprego. A taxa é
maior do que a registrada entre os jovens do Haiti, país mais pobre das
Américas.
Fotos2BQual2BPerfil2B13 Qual Perfil?
Entre os dados
coletados, há muitos pontos em comum entre Niterói e São Gonçalo, no que se
refere à participação da juventude no mercado de trabalho. Nos dois municípios,
o índice de desemprego entre jovens está em torno de 30% e a faixa salarial
média varia de 1 a 3 salários mínimos. A  maioria dos jovens trabalha no
setor privado e com carteira assinada. Na faixa etária entre 15 e 19 anos, além
do desemprego ser maior, mais da metade dos que trabalham foram classificados
como “autônomos informais”, ou seja, sem nenhum vínculo empregatício.
Mas há diferenças
entre as duas cidades. Em Niterói, 60,35% dos jovens se declaram brancos. Já em
São Gonçalo, 57% dos jovens se declaram negros (preto ou pardo). A cidade mais
branca é também a mais rica: Niterói registrou renda per capita de R$2.000,29
em 2010, enquanto em São Gonçalo a renda per capita no mesmo ano era de
R$669,30. Segundo o IBGE, no Brasil a renda per capita hoje é de R$1.268,00.
Tais diferenças entre os dois municípios explicam a maior incidência do racismo
sobre os jovens no mercado de trabalho de Niterói. Além disso, as políticas
públicas pensadas e ofertadas para enfrentar tais problemas não são amplamente
divulgadas entre os jovens, ou não os atraem.
Fotos2BQual2BPerfil2B07 Qual Perfil?
Com tais resultados
lançados pela pesquisa, foi necessário tomar a iniciativa para reverter o
cenário atual. Sendo assim, a Frente PapaGoiaba de Promoção dos Direitos da
Juventude Negra assumiu a responsabilidade de mobilizar a população e
sensibilizar o conjunto da sociedade fluminense, e, em particular, os
empresários e profissionais do mundo corporativo. Essa mobilização deu origem a
duas campanhas, com públicos e abordagens diferenciadas mas que se articulam
entre si: #QualPerfil? e [r+H].
A Campanha
#qualperfil?  é voltada para a sociedade em geral, através da juventude e
vêm para contar e apresentar outras narrativas, as histórias que foram
silenciadas e que precisam ser ditas. Por sua vez, a campanha [r+H] é
direcionada ao segmento de empresários, profissionais de RH e de
responsabilidade social corporativa e busca promover recursos mais Humanos, dar
visibilidade a experiências positivas no âmbito empresarial para a
sensibilização desses atores sociais e assim incidir na possibilidade de
mudança deste quadro.
O racismo está na
formação base de nossa estrutura social, nas linhas e traços de um país em que
ocorreu a escravidão e podemos observar seus reflexos.  Também está dentro
de cada pessoa, em seus atos e pensamentos. Fica o convite para cada leitor:
tentar romper e desconstruir com o racismo que ainda habita dentro de si, além
de conhecer e divulgar nosso site e redes das campanhas #qualperfil e [r+ H].
Como podemos ajudar a superar a distorção que leva à naturalização da
discriminação racial, deslegitimado os saberes da juventude negra no ambiente
profissional?
*Paula Latgé é estudante de Jornalismo, e atualmente trabalha
com comunicação na ONG BemTV.

Saiba mais:

Fotos2BQual2BPerfil2B17 Qual Perfil?

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Site campanha r+H recursos mais Humanos
(conteúdos voltados para empresários, profissionais de RH e responsabilidade
social)-
http://r-m-humanos.pluriverso.online