A história das “ganhadeiras” de Itapuã é o
tema do enredo que a agremiação apresentará na Sapucaí  
Por Luana Dias
DSC 2447 Viradouro aposta na força e luta das mulheres para conquistar o título
Raissa Machado, rainha de bateria
(foto Luana Dias/Jornal Casa da Gente)
“Viradouro de Alma Lavada”,
dos jovens carnavalescos Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, é o enredo que a
vermelho-e-branca de Niterói irá trazer para a avenida no Carnaval 2020. A
agremiação irá narrar a história das “ganhadeiras” de Itapuã, grupo
musical que surgiu há 16 anos atrás, com o conjunto de mulheres de Itapuã, para
resgatar a musicalidade de suas ancestrais, escravas de “ganho” que
vendiam os produtos na Lagoa de Itapuã, para conseguirem “comprar”
sua liberdade e alforria.  
“Pra nós, é uma alegria
contar a história destas mulheres, da força, da garra e da bravura, que lutaram
por igualdade e liberdade de uma forma muito feliz, porque elas ritmavam o
trabalho através da música. Vamos destacar esta musicalidade, e a figura da Maria
do Xindó, que é uma das ganhadeiras-matriarcas, que nasceu no ano de fundação
da Viradouro. Ela será a locutora do enredo”, conta Tarcisio Zanon, que
assina o enredo em parceria com Marcus Ferreira.
Maria do Xindó – por uma
grande coincidência – é natural do Abaeté, e foi uma das primeiras pessoas com quem
os carnavalescos entraram em contato, e logo no início ela contou que era
“Viradouro” de coração, demonstrando inclusive conhecimento sobre a
escola. Uma segunda coincidência, confirmada pelo carnavalesco é que ela nasceu
exatamente no mesmo ano de fundação da escola, 1946, o que acabou fazendo com
que ela se tornasse a narradora de toda esta história que será levada para a
avenida.
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Maria do Xindó: ganhadeiras de Itapuã
Ao todo, serão 36 mulheres “ganhadeiras”
que estarão destacadas ao longo do desfile. Ao final, no último setor, temos as
matriarcas e o contingente maior do grupo, coroadas pela Viradouro, no símbolo
maior da escola, que é uma “coroa”.
Maquiagem segue em destaque
A exemplo do Carnaval 2019, o
trabalho de maquiagem e caracterização também seguirá tendo destaque na
apresentação da escola, mas segundo o carnavalesco, com estilo mais popular e
plástica seguindo o enredo.
Desde
2018, a escola vem desenvolvendo intercâmbio profissional, cultural e humano
com a França: numa parceria entre Leticia Guaranho, da Guaranho Events, empresa
baseada em Paris, e Christina Gall, as artistas e empresárias unem o glamour e
sofisticação européias, com a criatividade e singularidade da festa brasileira.
Para o Carnaval 2020, 14 maquiadores vindos exclusivamente da França, irão
maquiar cerca de 1000 componentes, em intercâmbio também com artistas do Senac.
O resultado deste trabalho minucioso poderá ser conferido na avenida.
Outro ponto alto será a
valorização de artistas populares que nunca foram retratados na avenida, como o
baiano Mestre Didi. As estamparias, como a ‘chita’, criadas exclusivamente
promete surpreender com muito colorido, criatividade e beleza.
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Os carnavalescos da Viradouro
(foto divulgação)
Garra da comunidade
A Unidos
do Viradouro encerrou na noite de sábado, dia 15, a temporada de
ensaios de rua. O evento reuniu todos os segmentos da escola e levou centenas
de pessoas à Avenida Amaral Peixoto, no Centro de Niterói. A exemplo dos
ensaios anteriores, os mais de 3 mil componentes e o público explodiram com o
refrão mais cantado deste carnaval: “Oh mãe ensaboa/Mãe ensaboa pra depois
quarar”. Com uma melodia pra cima, na interpretação de Zé Paulo Sierra, e
com a bateria “furacão” vermelho-e-branco de Mestre Ciça, a Viradouro
tem tudo para ser a mais reverenciada ao passar no domingo, no Sambódromo, e
quebrar o “gelo” de ser a segunda agremiação da noite.
Raissa
Machado, que pelo sétimo ano consecutivo é rainha de bateria, e há 12 anos
desfila na escola, também demonstra entrosamento com ritmistas e componentes, e
promete surpresas.