Por
Mário Dias
        
Digitalizar0003 A cidade é minha casa, os habitantes a família

É assim que me sinto em Niterói, por
todas as regiões da ex-capital fluminense, inclusive na periferia, comunidades
e nos 52 bairros é chegar e aparecer alguém saudando-me “Dá-lhe, Mario Dias”,
nome  e sobrenome que plantei em cada
logradouro, fazendo reportagens, eventos, campanhas políticas, ouvindo
reinvidações e “jogando conversa fora”.

         Nascido em São Gonçalo, vim morar ainda
garoto com meus avós no Barreto, em Niterói, embora mantenha minhas origens no
vizinho município. Lembro com saudade do extinto Mercado São Sebastião, na
Praça Enéas de Castro,  no Barreto, onde
havia um coreto com programas de calouros e shows comandados por Eugênio
Ribeiro, um comunicador da década de 70. No local também aconteciam comícios
políticos.
O
Barreto era chamado da “capital da alegria”, com programação dos clubes
Bandeirantes, Cruzeiro, Fiat Lux, Manufatura, Byron, Humaitá e Cinco Julho,
estes dois últimos ainda resistindo ao tempo. Desfiles de blocos, principalmente
o “Tudo sabe e nada diz”, “Zorro” e “Arrasta tudo”, um bom carnaval de rua,
atualmente mantido pelo vereador Paulo Bagueira e outros abnegados.
        
Digitalizar0002 A cidade é minha casa, os habitantes a família

Na Venda da Cruz e Tenente Jardim, os
bailes e shows no Miami Clube além do Bloco Bafo de Bode. Na Engenhoca, as
escolas de samba Corações Unidos e Canarinhos, além do Clube Guarani e o Bloco
da Calça Lee. Na Vila Ipiranga, a Escola de Samba Sabiá, a mais velha de
Niterói, e ainda a Caçadores da Vila.

         No Fonseca, os bailes do Marajoara,
Caixotinho, e principalmente no Fonseca Atlético Clube, onde durante mais de 10
anos a Escola de Samba Acadêmicos do Cubango realizava excelentes ensaios, os
quais eu comandava o microfone, sempre supervisionado por Nei Ferreira,
fundador da verde-e-branca. Ainda no Fonseca, o bloco da chaleira, na Teixeira
de Freitas.
         No Caramujo, a Escola de Samba
Combinado do Amor, de onde surgiu a primeira passista internacional, Paula, que
foi levada para o Salgueiro. Lá, exisita o Figueira, que promovia ótimas
noitadas. No Cubango, além da Escola, o Centro Pró-Cubango, com festas
embaladas por “charme”, um ritmo que está voltando. Em Santa Rosa, os blocos
“Sai tarde, volta cedo, “Dominó”, “Preto e Branco” e a banda com o nome do
bairro, assim como os clubes, “Pioneiros” e “Marieta”. No Vital Brazil, a
escola de samba Sousa Soares, disputando popularidade com a Acadêmicos do
Beltrão, sendo a “Garganta” berço da Escola de Samba Unidos do Viradouro.
        
fotoPericlesRodrigues posseFranciscoEspC3ADndolaENITURem1982 A cidade é minha casa, os habitantes a família

Na Zona Sul, fundamos a Banda do
Território Livre de Icaraí, batizada pela Banda de Ipanema e que teve a
chacrete Fátima Boa Viagem como madrinha; a Unidos de Mem de Sá, com o jogador
Gerson, eterno canhotinha de ouro, batendo o Bloco das Piranhas, agora
completando 30 anos; o réveillon da Praia de Icaraí, os três com ajuda de
Jerônimo, do Ponto Jovem, na época proprietário do Chalé. O Baile da Tropicália
do Clube Central, sempre com a presença de Leila Diniz, que morava em Niterói,
precocemente falecida num desastre aéreo. As noitadas de samba do Regatas
Icaraí, onde também aconteciam competições náuticas. Em Charitas, a programação
do Aero Clube, agora voltando nos fins de semana na Casa do Caranguejo,
disputando espaço com a Academia de Niterói, em São Francisco, que mantém
eventos às sextas-feiras e sábados; os bailes do Havaí e Tropicália, do
Jurujuba Iate Clube, que se mantém ativo sob o comando de Jorge Mira; a Banda
do Ingá, criação do vereador Gallo, uma tradição; os bailes do Gragoatá, e no
Centro de Niterói, o maravilhoso Carnaval – considerado o segundo maior do
Brasil por Jorge Amado, quando foi jurado, na Avenida Amaral Peixoto, que agora
a União das Escolas de Samba e Blocos tenta resgatar. Na Região Oceânica, o
inesquecível Hildo Mello, que era interventor da colônia de pescadores e
atualmente a força e organização de Jorge Bellas, em Itaipu.

         Reafirmo que em cada bairro ou
logradouro de Niterói, tenho dezenas de amigos, formando uma rede de
informantes do CASA DA GENTE, aos quais nestes 440 anos da cidade, agradeço com
carinho, a sinceridade, com a certeza de que sempre estaremos juntos.

         Nesta grande família, incluo líderes
religiosos, simbolizados pelos padres Wallace  Assis, da Igreja de São
João e Igreja de São Jorge; Pastor Nilson do Amaral Fanini (falecido), Miguel
Gonçalves, do Centro de Pesquisa Afro-Brasileira e Maria das Dores Rocha, da
Casa da Caridade Miguel Arcanjo.             
Tagged: , , , , , ,

1 thought on “A cidade é minha casa, os habitantes a família

  1. Só uma correção: A agremiação mais antiga do carnaval de niterNi e a Combinado do Amor 20 de outubrode 1936 a Sabiá e de 1939.

    Do mais muito bom seu artigo. Parabéns.

Comments are closed.