Por Veronica M. de Oliveira

WhatsApp2BImage2B2018 06 262Bat2B2.22.312BAM Da Grota para Berklee: o sonho realizado de uma jovem violoncelista
Aos 20 anos de idade, Kely
Pinheiro não poderia imaginar que viveria de forma tão prematura a realização de
um sonho. De violoncelista da Orquestra de Cordas da Grota, passando pela Camerata
Laranjeiras – orquestra que desenvolve habilidades musicais e interpessoais entre
jovens de diferentes classes sociais – ela conquistou uma bolsa de estudos em
Berklee, considerada uma das mais conceituadas escolas de música, situada em
Boston, nos Estados Unidos.
Nos últimos meses, Kely tem
buscado superar outro desafio: o de não ter dinheiro suficiente para custear
sua estadia na escola americana, apesar da benesse conquistada. Entretanto,
isso não tem sido motivo para embotar o desejo dessa jovem violoncelista em
aprimorar seus estudos. Apoiada pela prefeitura municipal, no dia 25 de julho,
ela se apresentará no Teatro Municipal de Niterói como forma de captar mais
recursos para a concretização do seu sonho.
Mas, quem é a musicista que desponta
no cenário artístico niteroiense? O JORNAL CASA DA GENTE foi conhecer um pouco
mais desse talento nato, autodidata aos seis anos de idade e com uma
surpreendente trajetória na música.
Kely2B 2B1 Da Grota para Berklee: o sonho realizado de uma jovem violoncelista
Jornal Casa da Gente
(CG): Como se deu a sua entrada na Orquestra de Cordas da Grota?
Kely Pinheiro (KP): Eu era muito nova e minha mãe e minha avó
trabalhavam o dia inteiro. Como a Orquestra de Cordas da Grota sempre foi muito
conhecida, elas decidiram me colocar nesse projeto. E também para que eu
pudesse ter contato com a música.
CG: Você tem habilidade para tocar vários instrumentos musicais, mas
como aconteceu o momento em que você se decidiu pelo violoncelo?
KP: Quando eu estava com 11 anos, a Orquestra da Grota recebeu um
violoncelo e o professor perguntou quem gostaria de tocar. Eu fui uma das
pessoas que demonstrou interesse em aprender. 
E, durante muito tempo, fiquei como uma das únicas violoncelistas da
Orquestra.
CG: Como é para você superar as adversidades da vida e conseguir
conquistar uma bolsa com esse “quilate musical”?
KP: Essa é a conquista de um sonho que eu sempre tive. As pessoas
me perguntam se eu imaginava em estudar fora e eu respondo que imaginava sim.
Mas, não podia acreditar que o sonho se tornaria realidade. E isso, depois de
trabalhar, correr atrás e estudar bastante para conquistar as coisas que eu
tenho, aos 20 anos de idade. Atualmente estou cursando licenciatura em música
pela UNIRIO.
CG: Conta um pouco para os nossos leitores como foi o “caminho das
pedras” até chegar à conquista dessa bolsa em Berklee?
WhatsApp2BImage2B2018 06 262Bat2B2.22.322BAM Da Grota para Berklee: o sonho realizado de uma jovem violoncelistaKP: A escola de Berklee estava criando uma plataforma online de
ensino e convidou a Camerata Laranjeiras, que eu integrava, para gravar um
vídeo. Não tínhamos o arranjo para a música “Canto das 3 raças”, mas decidi que
faria, apesar do pouco tempo. Através dessa iniciativa, tivemos a oportunidade
de conhecer um professor da escola, que manteve contato com a Camerata. Em
função disso soube da audição que aconteceria em fevereiro e decidi me
inscrever, embora sem muitas expectativas. Um mês depois recebi a carta da
escola me informado que eu havia sido aprovada para ganhar a bolsa de estudos
da instituição.
KG: Qual a sua expectativa de estudar em uma das mais conceituadas
escolas de música dos Estados Unidos?
KP: Minha cabeça está tão focada no processo de chegar lá que não
consigo ainda pensar muito à frente. O interessante é que estou gostando dessa
adrenalina e do sentimento de uma grande aventura. Eu vou para um lugar, onde a
língua e a cultura são diferentes. Embora já tenha tido uma experiência no
exterior, quando me apresentei com a Camerata na Europa, nunca estive nos
Estados Unidos. No entanto, estou esperando pelo melhor, pois sou uma pessoa
muito aberta a novas experiências. Eu acredito que esse será um momento novo em
minha vida.
CG: O curso tem duração de quatro anos e, ao longo desse tempo, como
você conseguirá manter-se financeiramente?
KP: Eu já consegui juntar dinheiro para o primeiro ano do curso. A
minha luta agora é para captar o investimento destinado aos respectivos anos.
Eu estou buscando dar o melhor de mim agora e conseguir o máximo de dinheiro
para me manter lá. Além disso, enquanto estiver em Berklee, vou manter a
campanha, mas terá que ser em dólar. Existem inúmeras possibilidades que podem
surgir em Berklee, como a de conseguir um patrocinador ou a própria faculdade
oferecer alguma forma de apoio, seja em dormitório, por exemplo, que eles não
cobrem. Existem várias possibilidades. Mas, não estou pensando em dar um jeito
quando chegar lá. Eu preciso conseguir isso agora.
CG: Quando retornar ao Brasil, o que espera fazer com todo o
conhecimento adquirido no exterior?
KP: Eu queria muito arranjar uma maneira de passar o conhecimento
que eu conseguirei lá. E isso pode ser dando aula, divulgando a minha
experiência. Quando voltar acredito que haverá muita coisa para eu fazer. 
CG: Estudar em Berkeley era um sonho. Quais outros mais pretende
conquistar no futuro?
KP: Eu tenho dois caminhos a seguir, que seria tocar em uma
orquestra, a fim de me proporcionar uma estabilidade financeira, ou conseguir
conquistar um espaço como freelancer, escrevendo, compondo e fazendo arranjos
para projetos como filmes e até programas de televisão. Outra opção seria tocar
com algum artista.
CG: Para você, como é estar sendo apoiada pela Prefeitura?
KP: Fiquei feliz por perceber esse interesse da Prefeitura de
Niterói em me apoiar e eles me concederam uma data para fazer um concerto no
Teatro Municipal.  E também o prefeito
Rodrigo Neves se comprometeu em ajudar financeiramente a campanha. Sou grata a
eles que, através dessa iniciativa, me proporcionou muita visibilidade.
CG: Fala um pouco para o Casa da Gente sobre como será o show no Teatro
Municipal de Niterói.
KP: Eu queria deixar isso como surpresa. O que posso dizer é que a
maioria das peças que nós vamos tocar são arranjos da minha autoria. São
músicas que eu escrevi e que vão contar com participações especiais de alguns
colegas e professores.
CG: Para você o que representa a Orquestra de Cordas da Grota?
KP: Esse projeto mudou a minha vida. Tudo começou a partir dele. As
oportunidades que surgiram, as pessoas que eu conheci. Por isso, eu gosto de pensar
que o projeto e a música foram agentes de transformação. São pontos chaves na
minha vida, ter entrado na Grota, no Conservatório de Niterói e agora na
UNIRIO. Por isso, a Orquestra é muito especial para mim, porque foi através
dela que eu aprendi não somente música, mas muitas outras lições.
CG: Se pudesse ser um espelho para outros jovens, o que refletiria para
eles?
KP: Sempre tive apoio dos meus pais e amigos para estudar música.
No entanto, mais do que isso, posso dizer que tudo partiu da minha disciplina e
perseverança para conquistar um espaço dentro da música. Em alguns momentos
quis migrar para outras carreiras. Porém, o que me manteve até agora foi a
determinação em dar o meu melhor, mas tudo com muito trabalho.

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