Entre crises e fusões
o futebol de Niterói, mesmo aos (trancos e barrancos) consegue se manter vivo.
Por Cezar Rizzo

digitalizar0023 Futebol de Niterói
Cezar Rizzo
Os clássicos sempre
foram a grande atração do futebol niteroiense até surgir á fusão com o Estado
da Guanabara.
O Clássico da Zona
Sul.
Fundados no
aristocrático bairro de  Icaraí no ano de 1913, Canto do Rio e Fluminense
se enfrentaram pela primeira vez em 1919, pois até então o clube
 alvi-anil  disputava campeonatos em outra entidade, a LFDT. Dispondo
ambos de grande quadro social e ligação com a chamada “fina Sociedade”, os
clubes dividiam a preferência da elite da zona sul da cidade, mesmo antes do
primeiro confronto classificado pelo jornal “O ESTADO DE NITÉROI” como  “
o ansiosamente aguardado match entre os clubs prediletos do bairro”.  
Curiosamente ambos os
clubes se mudariam para o centro da cidade nos anos 30/40, deixando para trás a
zona sul onde nasceram.
O Clássico da ZONA
NORTE
Ao passo que o “
Clássico da Zona Sul” disputava a preferência das altas classes niteroienses, o
“Clássico da Zona Norte” era mais popular, pois envolviam dois clubes de origem
operária do bairro Barreto: Bayron, ligado à Cia Manufatora Fluminense de
Tecidos; e Barreto,ligado a “ Cia. Fiat  Lux de Phosphoros”. Os confrontos
entre essas duas equipes eram recordistas de público, segundo os jornais da
época, e palco de grandes confusões. Algumas recordações desse clássico podem
ser encontradas na biografia de Zizinho(o maior jogador/craque) do futebol
niteroiense de todos os tempos),e que começou sua carreira no Bayron.
Em meados da
década de 1920, dois clubes a até então considerados médios passam ao status de
“grandes” da cidade: o Ypiranga e o Nictheroyense Football Club. Na verdade,
essa ascensão deve-se ao fortalecimento do Ypiranga, ganhador de vários títulos
– tendo o Nichteroyense “pegado carona” na ascensão ypiranguense na condição de
ser seu maior rival, no por vezes chamado “Clássico do Centro” (embora o
Ypiranga  fosse de São Lourenço,bairro muito próximo do Centro da cidade,
onde o Nictheroyense tinha sede).
O termo “Clássico do
Centro” no  entanto falhou em se popularizar, em parte devido às
dificuldades do Nictheroyense  em acompanhar o seu grande rival.
Durante a década de
30 o conceito de clássicos por regiões cairia em desuso, e todos os jogos entre
os membros do “Grupo do Seis”- Nictheroyense, Fluminense, Canto do Rio, Barreto
Bayron e  Ypiranga – eram considerados clássicos.
Em meados de 40 a fábrica de fósforos
fecharia o Barreto Footbal Club, acabando precocemente com um dos clubes mais
populares da cidade. A década marcaria também o enfraquecimento do
Nictheroyense, que de “grande” passaria apenas a “tradicional” nos periódicos
da época.
A partir de 1941 o
público de Niterói ainda viu o Canto do Rio,então considerado a maior torcida
da cidade, passar a disputar o campeonato carioca, deixando apenas quadros
secundários Nas disputas de Niterói.Em meio a grandes clubes de expressão
nacional (como Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco), o clube atrairia a
atenção e a simpatia de cada vez mais  moradores da cidade monopolizando
aos poucos a preferência local, que passaria a acompanhar o Campeonato Carioca
– e futuramente torcer para os times do Rio de Janeiro..
A passagem do Canto
do Rio, pelo futebol do Rio de Janeiro tem três registros especiais:
A conquista do
Torneio Início de Futebol no ano de 1955, quando venceu o Vasco da Gama por 3 X
0 (no tempo normal de jogo) isto no dia 5 de julho de 1953. Vice-campeão do
mesmo torneio em 1962 (derrotado pelo Botafogo por 2X0) e a conquista do TROFÉU
DISCIPLINA, oferecido pela Federação, ao clube que não tivesse jogador expulso
durante a disputa do c campeonato de futebol em seus dois turnos.
As décadas de 1950-60
e a ascensão do Fonseca.
Em 1950 o Bayron e
despejado do terreno da fábrica que passou a ser ocupado pelo Manufatora
Atlético Clube, grêmio dos funcionários da fábrica.Sem campo e sem conseguir
treinar o Bayron abandona o futebol.
Em 1952 o
 Fonseca se torna profissional, e começa um domínio no futebol da
cidade.Ypiranga e Manufatora também se fortalecem e acompanham o rival no
profissionalismo, enquanto o Fluminense passa para um plano mais modesto,
enfraquecido junto ao Niteroiense.Fonseca,Ypiranga e Manufatora passam a fazer
os clássicos mais importantes da cidade- e uma grande rivalidade – extra campo-
 surge entre os torcedores desses clubes (em especial o Fonseca)
e o Canto do Rio. A rixa era motivada pelo fato do Canto do Rio ter se recusado
a retornar ao seu campeonato de origem mesmo após o início do profisionalismo fluminense.
A grande crise e o
último clássico. Após os abandonos do Ypiranga do profissionalismo, em 1959, do
Fluminense, em 1958, e do Manufatora em 1963, foi a vez do Fonseca abandonar
não só o regime profissional como o próprio futebol em 1965, dedicando-se desde
então apenas as outros esportes.No inicio da década de 1970 um novo “clássico”,
o  último a assim seer chamado em Niterói, surgiu entre Manufatora e
Costeira,que respectivamente voltou/entrou no profissionalismo.A rivalidade no
entanto, aparentemente era restrita entre os sócios dos clubes e incentivada
pelo jornais locais, não conseguindo mobilizar o publico de Niterói, já
iremediavelmente  dominado pelo futebol carioca.
Esse último clássico
acabou em 1983, ano em
que o Manufatora
(agora rebatizado para ADN NITERÓI) fechou
as suas portas. Aos jogadores de futebol, protagonistas desta história,
famosos e não famosos, craques  ou não, a nossa homenagem  pelos
 440 anos da velha província, a nossa querida NICTHEROI. Cezar Rizzo é locutor e jornalista.

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