Por
Jorginho Bellas
JORGINHOADC38DLIOEROBSON Itaipu - "Pedra que canta"
Em
1970, companhando meu pai, Jorge Bellas, aos meus 7 anos de idade, aportei
neste paraíso de águas calmas, limpa e de uma beleza natural inigualável.Com
vista para a Praia de Copacabana, Pão-de-Açúcar e para o Cristo Redentor, que é
uma das sete maravilhas do mundo, a Praia de Itaipu, em sua Vila dos
Pescadores, tem a pesca e o comércio deste pescado como base da sua economia. A
maneira como desfrutar deste presente da natureza fica a critério do visitante:
desde frequentadores assíduos a turistas de primeira viagem têm a oportunidade
de levar um peixe fresquinho para suas casas e elaborarem o seu próprio preparo
ou, então, saboreá-los nos diversos bares e restaurantes de alta qualidade, especializados
em frutos do mar, que a Praia de Itaipu tem a oferecer. A culinária local é
bastante familiar, passada de geração em geração, o que acabou tornando uma
tradição degustar um enorme cardápio de frutos do mar , contemplando um
pôr-do-sol que está entre os mais belos do mundo, e, claro, acompanhado de uma
boa cervejinha gelada.
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Para
tornar esse passeio mais especial, a Praia de Itaipu conta com a história
local. O visitante tem a oportunidade de conhecer a história da Igreja de São
Sebastião, fundada  pelos  Jesuítas em 1722, e o Convento
de Santa Tereza, onde hoje abriga
o  Museu  Arqueológico  de  Itaipu. E,
dando aquela última pincelada na obra da natureza,
a  Duna  Grande, que é um sítio arqueológico, e
a  Serra da Tiririca dão um toque especial de beleza, romantismo e
nostalgia a nossa praia.
Cronologia e fatos marcantes

1716 – Já existia uma Capela destinada a atender a comunidade dos  pescadores  e  índios  catequizados.  Sua  fundação  Jesuíta
foi dedicada a São Sebastião, sendo promovida à Paróquia de São Sebastião de
Itaipu em 1722, atualmente, muito bem representada pelo  Padre
Casemiro e Padre Juliano.

1920 – a  Festa de São Pedro foi criada em 1920 pela tripulação de
seu Manduca.

1921 – Fundação da Colônia de Pescadores pelo Almirante Frederico Vilar, o qual
foi responsável pela Fundação de todas as Colônias de Pescadores no Brasil.
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1958 – A atual Praia de Camboinhas, era uma extensão da Praia de
Itaipu.  O nome Camboinhas, teve origem com um acidente
naval  ocorrido em junho de 1958 onde um
cargueiro  chamado  Camboinhas, encalhou,  na
Praia que fazia parte de Itaipu, passando assim a se chamar esse trecho de
Camboinhas.  Em meados da década de 1970 é construído  o
Canal de Itaipu que liga o mar a Lagoa de Itaipu, separando assim a Praia de
Itaipu da Praia de Camboinhas.

1961 – neste ano a União cedeu o Canto Sul da Praia de Itaipu para os
Pescadores tradicionais sob administração da Colônia.
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Do Comércio
Na
década de 50, o comércio em Itaipu era basicamente para atender a demanda
local, onde mercearias bem primárias atendiam os moradores (pescadores), como
no caso do Sr. José Bonifácio (avô do Seu Chico) e Seu Lelêgo, muito lembrado
por vender  fiado aos moradores.
Nos  anos
60/70, a pensão da Tia Joana (atualmente Bar da Tia Joana), o Bar e Restaurante
Varandão e o Bar Último Furo (famoso pelos seus bolinhos de peixe) chamaram a
atenção de turistas, que passaram a frequentar cada vez mais.
A
partir dos anos 80, com uma demanda cada vez maior, muitos pescadores passaram
a dividir seus ranchos (barracões) com seus barcos, abrindo lugares para
colocar mesas e vender seu peixe já preparado para ser consumido no local. A
princípio, seus familiares (mulher e filhos) eram a mão de obra, desenvolvendo,
assim, uma culinária original e tradicional da nossa Praia de Itaipu. Neste
momento, surgia o Pólo Gastronômico, especializado em frutos do mar, no
qual podemos citar alguns bares e restaurantes mais antigos que preservam a
qualidade tradicional de sua culinária até os dias atuais, entre eles,
destacamos o Bar e Restaurante do Jorginho, Panela Furada, Casa da Sogra, Bar
do Paulinho, Bar da Déia, Léo Velasco, Sabino’s, Canoas, Tia Joana e Varandão.
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Não
poderíamos deixar de mencionar o Grupo Garoupa que era formado por
mergulhadores, pescadores e frequentadores  da Praia de Itaipu, que
tiveram grande influência nas melhorias de infraestrutura e interação social no
fim dos anos 70 e no decorrer dos anos 80, os quais promoveram a Festa de São
Pedro, famosa até hoje, em um grande evento turístico da Cidade de Niterói.
Com
o aumento da frequência turística, comerciantes, pescadores e moradores se
uniram em busca de soluções e ordenamento para a preservação do local,
surgindo, assim, associações como a ACOMPI (Associação de Comerciantes e
Moradores da Praia de Itaipu), ALPAPI (Associação Livre de Pescadores e Amigos
da Praia de Itaipu) e AMAITA (Associação de Moradores de Itaipu) gerando
 uma maior interação com o Poder Público, como a Prefeitura de Niterói,
SEDRAP, SPU, INEA, MPF entre outros. Sempre em busca de meios para melhorar o
desenvolvimento econômico, preservando o meio ambiente através da
sustentabilidade.
Dentre
várias ações, podemos destacar duas conquistas recentes oriundas dessa união: a
RESEX (Reserva Extrativista Marinha de Itaipu) e o Projeto Pequenas Dunas de Itaipu.
A  RESEX,
Reserva Extrativista Marinha de Itaipu, foi uma conquista dos pescadores
tradicionais, apoiados pela maioria dos moradores e comerciantes da Praia de
Itaipu, cujo propósito é defender seu modo de vida e a manutenção de sua
cultura.
O Projeto Pequenas Dunas de Itaipu é uma integração sócio educativa desenvolvida
pela Igreja de São Sebastião de Itaipu, representada pelo Padre Casimiro, em
parceria com o Museu Arqueológico de Itaipu e com as Associações  de
comércio, moradores e pescadores da Praia de Itaipu, a partir da qual será
realizado o plantio de restinga, revitalizando a vegetação nativa, com o
objetivo maior de preservar o meio ambiente.
É
mister salientar que o Projeto Aruanã, representado pela bióloga e pesquisadora
Suzana Guimarães e sua equipe, realizam o importante papel de cuidar,
acompanhar e preservar as tartarugas marinhas que habitam a Praia de Itaipu há
uma década.
Com
um histórico tão rico e uma tradição que atravessa séculos, eu, Jorginho
Bellas, tenho muito orgulho de ser um cidadão niteroiense e fazer parte da
história de Itaipu. 
Jorginho Bellas é presidente da Associação do Comércio e Moradores de Itaipu

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