Um dos grandes ícones do baixo no Brasil, o artista teve uma parada cardíaca e não resistiu

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Um dos grandes nomes da música no Brasil, Arthur Maia morreu na tarde deste sábado, aos 56 anos de idade. O músico passou mal, e sofreu uma parada cardíaca, sendo socorrido e levado ao Hospital Mário Monteiro, em Niterói, mas veio a falecer.


“Tentaram reanimá-lo, mas não conseguiram. Foi uma parada cardíaca fulminante”, contou à imprensa o primo de Arthur, Zé Luis Maia.
Segundo informações da família, velório será realizado no domingo, dia 16, no Cemitério Parque da Colina, Capela 1, e o enterro será às 15h.  


Sobrinho do lendário Luizão Maia, outro nome expoente do baixo, Arthur dividiu o palco com grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Ben Jor. Ele foi integrante da Banda Black Rio, e do quarteto instrumental Cama de Gato.

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Uma vida dedicada à música


Nascido no dia 9 de abril de 1963, no Rio de Janeiro, Maia iniciou sua carreira tocando bateria, até ganhar seu primeiro baixo elétrico, aos 17 anos. Os graves já corriam nas veias, já que o artista é sobrinho do grande baixista Luizão Maia – braço direito de Elis Regina, com quem aprendeu as primeiras técnicas no baixo, e de quem herdou a sensibilidade que desenvolveu ao tocar esse instrumento.

No cenário nacional, seu nome é prioridade nas bandas de renome do país, tendo tocado ao lado de Ivan Lins, Luiz Melodia e Márcio Montarroyos, os quais Arthur acompanhou a partir de 1976. 
images Morre o músico niteroiense Arthur MaiaEntre os diversos grupos de música instrumental que integrou, destacam-se “Garage”, “Varanda”, “Pulsar” e a “Banda Black Rio”. Seu jeito particular de fazer música levou o artista também ao cenário internacional, quando trabalhou com Ernie Watts, Sheila E., Pat Metheny, Carlos Santana e George Benson.

Mais tarde, Arthur integrou uma vertente mais pop, fundando a banda “Egotrip”. Mas foi o grupo “Cama de Gato”, com um som mais voltado para o jazz, do qual Arthur fez parte como baixista, que deu especial impulso à sua carreira.

“Maia” foi seu primeiro disco solo, gravado em 1991, e lançado no Brasil e na Europa, com significativa aceitação de mercado. Um ano depois, recebeu o Prêmio Sharp como revelação instrumental.

Seu segundo CD, o “Sonora”, foi lançado em show no Canecão, em 1996, com lotação esgotada e consagração da crítica, que possibilitou a gravação do especial “Na Corte do Rei Arthur”, para o SBTVE e, a seguir, a apresentação do músico em seis países europeus, nos Estados Unidos e no Japão. Em setembro do mesmo ano, se apresentou na casa de espetáculos Town Hall, de New York, no Festival Brasil / New York.

Já em 1999, Arthur lançou, pelo selo Niterói Discos, o CD “Arthur Maia e Hiram Bullok ao Vivo”. Gravado no Mistura Fina, no início de 1998, este disco reúne o melhor do baixista brasileiro ao som de um japonês criado nos EUA, Hiram Bullock, músico que começou no sax, mas já tocou com uma lista do jazz e do pop, incluindo Miles Davis, James Brown, Barbra Streisand, Burt Bacharach, Billy Joel, David Sanborn, Paul Simon e Eric Clapton.

Em 2002, também pelo Selo Niterói Discos, Arthur Maia gravou o álbum “Planeta Música”, que contou com a participação de Paquito D’Rivera, Mike Stern, Marcos Suzano e outros artistas consagrados. Em dezembro deste mesmo ano, realizou o show “Arthur Maia Convida”, na Marina da Glória, no Rio, com a presença de mais de 2.500 ouvintes.

Ao longo dos anos, além de dedicar-se ao trabalho solo, Arthur trabalhou ainda com nomes como Caetano Veloso, Djavan, João Bosco, Lulu Santos, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Plácido Domingos, Ricardo Silveira e Gilberto Gil. Com Gil, o baixista trabalha desde o início da década de 90, tendo participado das turnês nacionais e internacionais de diversos shows do cantor, como as de “Quanta”, “Eu,Tu, Eles” e “Kaya N’Gandaya”.

De 2013 a 2016, Arthur Maia passou a atuar diretamente no segmento político, como Secretário de Cultura de Niterói, no primeiro mandato do prefeito Rodrigo Neves.