Bukowski Bar
(Augusto Dias)
reproducao2Binternet Na Linha do tempo – Outubro/2014

Estou bebendo muita cerveja
e as pessoas vão ficando mais interessantes,
tornou-se novo
tudo aquilo que já havia sido dito antes.
Todo esse povo
Já não parece tão cabisbaixo e triste.
Depois do décimo gole,
a minha miséria já não insiste
em ser maior que a do vizinho,
continuo cercado de gente
mas já não me sinto tão sozinho.
Agora que a cerveja me beija,
amo a todas as pessoas que odiava
e sou tolerante com quem não suportava.
Ela entra em minha sanguínea corrente 
e, de repente, apenas dez segundos
depois de ser ingerida,
transforma minhas feridas
em pele reluzente.
Cicatrizado por fora,
continuo a me embebedar,
até me sinto mais gente,
mas tenho medo,
pois a cerveja está acabando.
É inevitável a dúvida
em forma de preocupação:
é ela que me embebeda
ou eu que procuro ilusão?
Amanhã eu penso nisso,
-dessa questão não posso ficar omisso-
mas agora eu quero 
“mais uma dose, é claro que eu tô a fim”,
pois enquanto houver cerveja
o meio justificará o fim
e não me faltarão certezas
descritas entre umas e outras,
entre o gole e o vomitar.
Tá pronto pra mais?
Simbora pro bar…
Augusto Dias é professor e poeta, e “Bukowski Bar” faz parte do seu novo livro “Anotações para depois do temporal”, com lançamento previsto para o final de novembro.

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