Por Ronaldo Arino

Mulher2Bfita2BmC3A9trica Correndo pela vida - Só se for para entrar no vestido à noite…
Final
de inverno, Rio de Janeiro, sábado, 13 horas. Dia quente e ensolarado e uma
moça vestida com agasalho de nylon e uma calça colante ao corpo corria pela
ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas. Primeira coisa que pensei: “só se
for para entrar no vestido à noite”. Por puro desconhecimento esta atitude é
prejudicial à saúde, podendo ter como consequências uma desidratação e/ou uma
hipertermia.
Este
artifício é muito utilizado, por exemplo, pelos lutadores de boxe quando da
pesagem oficial que antecede as lutas. Para se manterem dentro do peso de suas
categorias fazem exercícios nos dias anteriores com casacões de nylon para emagrecerem
rapidamente. Este emagrecimento não é saudável porque se dá as custas de
perda de água.
A
prática de atividade física em ambientes com altas temperaturas é extremamente
comum em nosso país. No verão, mesmo nos horários mais amenos, ao amanhecer, os
termômetros já estão marcando temperaturas altas. Imaginem correr no horário do
almoço em qualquer estação no Rio de Janeiro. “É dar sorte para o azar”,
concordam?
O
nosso corpo precisar “respirar” e, desde que se utilize a vestimenta adequada
podemos suportar as temperaturas altas melhor porque permitimos que ele utilize
todos os mecanismos fisiológicos de perda de calor. Um desses mecanismos é
o de perda de calor por evaporação.
Quando
fazemos alguma atividade física o nosso metabolismo aumenta, com consequente
aumento da temperatura interna. Na realidade, o nosso corpo não suporta grande
variações de temperatura. Internamente ela corre na faixa entre os 36 e 40°C.
Acima disso pode ocorrer uma hipertermia, que se não for tratada a tempo, pode
ser fatal. Abaixo dos 36° já corremos risco da hipotermia que, da mesma
forma, também é grave.
Portanto,
esta temperatura produzida em nosso organismo tem que dele sair de alguma
forma, se não corremos risco de ter uma hipertermia e desidratação graves. São
utilizados quatro mecanismos para atingir este objetivo:
Irradiação –
todos os corpos fornecem calor para aqueles com temperatura mais baixa através
de ondas eletromagnéticas;
Condução –
é a perda de calor para outros corpos que estejam em contato, como as roupas
utilizadas durante a prática do exercício físico e as molecular de ar que
rodeiam o corpo do atleta;
Convecção –
é a remoção de calor através da corrente de ar. Quando praticamos uma atividade
física o deslocamento faz com que entremos em contato sempre com novas
partículas de ar, ainda não saturadas, permitindo uma troca contínua da temperatura
corporal com as moléculas de ar.
Evaporação –
é o fenômeno em que átomos e moléculas em estado líquido (suor) ganham energia
suficiente para passar ao estado vapor. Este mecanismo é mais facilitado em
dias que a umidade relativa do ar não esteja muito alta, já que, nesta
situação, menos partículas de ar estarão suturadas, possibilitando a troca de
calor, assim como roupas que expõe a transpiração possibilitando a sua
evaporação.
Então
amigos, o que poderia pensar depois disso tudo sobre aquela moça? Só se fosse
para entrar no vestido à noite e poder ir na festa tão esperada, sem saber que
importantes consequências à sua saúde poderiam ocorrer.
  • Use
    roupas adequadas para a prática de atividade física, aquelas que permitem que o
    suor entre em contato com o ar ambiente e se evapore;
  • Durante
    os treinos e provas beba de 100 a 200 ml de água cada 15 min ou em todos os
    posto de hidratação.
  • Em
    treinos e provas maiores de 10 km ou 1h de duração, beba 200 ml de isotônico a
    cada 15 ou 20 minutos para repor o sódio perdido com o suor.
  • Sempre
    que possível observe os outros corredores, preste e solicite ajuda quando
    necessário.
  • Realize
    atividade física sempre com orientação profissional.
  • Use
    sempre óculos escuros.
  • Use
    o protetor solar e o boné.
  • Respeite
    o seu corpo e aprenda com os sinais que ele lhe dá.

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Dr. Ronaldo Arino é médico, coordenador de projetos na área de Saúde Ocupacional na Femptec – Fundação de Empreendimentos, Pesquisa e Desenvolvimento Institucional, Científico e Tecnológico do Rio de Janeiro e Diretor da WSO – medicina executiva. Ele também é Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e assina o blog Correndo pela vida – www.correndopelavida.com.br

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