O ícone internacional da guitarra concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Casa da Gente, ao lado dos músicos Ivan Mamão e  Dudu Lima, logo após o concerto que lotou o Teatro Municipal de Niterói. 


por Veronica M. de Oliveira 
WhatsApp2BImage2B2018 06 142Bat2B12.59.082BPM Stanley Jordan: quando técnica e carisma se encontram
Stanley Jordan, Ivan “Mamão” e Dudu Lima, o trio que se
apresentou no Teatro Municipal
(fotos Leo Zulluh) 

O Teatro Municipal de Niterói foi
palco de um show memorável que reuniu três talentos consagrados na música
instrumental, um deles de nível internacional. O prodígio da guitarra Stanley
Jordan tocou em Niterói, pela primeira vez, acompanhado pelo baterista Ivan “Mamão”,
ex-Azymuth, e o baixista Dudu Lima, que ocupa posição de destaque nos graves e
grooves do país. Durante duas horas, aproximadamente, o trio demonstrou toda a
virtuosidade, executando composições nacionais e internacionais de destaque no
cenário musical.

Da marcante “Insensatez”,
de Tom Jobim à “Stairway to Heaven”, de Led Zeppelin, o espetáculo
passeou pelos mais variados estilos musicais. Foi uma noite com muito jazz,
blues e bossa nova, com um setlist que agradou em cheio aos mais apurados
ouvidos. No entanto, não é de hoje o entrosamento desses três músicos. Eles
tocam juntos há mais de 17 anos, o que representa algo em torno de 300 shows,
com muita interação musical. Para Ivan Mamão, trata-se de uma troca muito
positiva. “Eu aprendo e posso passar também algumas coisas para eles”,
ressaltou.

WhatsApp2BImage2B2018 06 132Bat2B2.48.252BPM Stanley Jordan: quando técnica e carisma se encontramSobre o músico Stanley Jordan,
Mamão destacou a pessoa fantástica que ele é e sua capacidade para ensinar,
além da brasilidade assumida pelo artista norte-americano durante todo esse
tempo. Mas, quando o assunto é sobre a harmonia dos três no palco, Dudu Lima reflete
o quanto é fundamental a conexão entre os músicos na composição do trio.  Para ele, trata-se de “uma telepatia musical,
uma experimentação, um diálogo”, algo que vem perdurando por toda trajetória de
17 anos. Ao longo da apresentação, em vários momentos, contrabaixo e guitarra
“conversaram” em um momento de pura improvisação, mas sem deixar de revelar toda
fluidez melódica.

Além de Insensatez e Stairway to
heaven, o público pôde ouvir também outras composições, como Merci Merci; Partido
Alto, de Azymuth; Regina, de Dudu Lima, e Eleanor Rigby, de John Lennon e Paul
McCartney. Stanley Jordan também deu um show à parte, executando algumas “fugas
de Bach”, que na linguagem musical significa que o tema é repetido por outras
vozes da guitarra, que se entrelaçam na música.
Das ruas para o estrelato
WhatsApp2BImage2B2018 06 132Bat2B2.48.142BPM Stanley Jordan: quando técnica e carisma se encontram

Nascido em Chicago em 1959, o
ícone americano da guitarra Stanley Jordan começou sua carreira musical aos
seis anos, quando se iniciou nos estudos de piano. Aos 11 anos migrou para a
guitarra, que hoje é seu instrumento principal. Mas, quem hoje vê a carreira
desse grande guitarrista, com várias apresentações nos mais renomados festivais
de jazz, pode não saber de alguns fatos pitorescos que pontilham sua carreira.

Mesmo com formação em teoria
musical e composição pela Universidade de Princeton, Jordan apelou para as ruas
a fim de divulgar seu talento. E chamou atenção pela técnica que desfilava em
apresentações públicas em Nova Iorque, Filadélfia e em outras cidades do meio
oeste americano. A fama de “guitarrista incrível que tocava por alguns cents” o
alçou ao estrelato, de onde nunca mais saiu.

Com vários álbuns gravados, Stanley
Jordan se encantou pelo Brasil, que faz parte do roteiro de shows do artista, e,
juntamente com Ivan Mamão e Dudu Lima, mostra toda afinidade musical em
interpretações dos clássicos da música brasileira e da bossa nova, assim como
os standards do jazz.  Em suas apresentações  Jordan inclui também a famosa técnica que fez
grandes contribuições, o chamado tapping, que é uma forma de tocar  na qual o músico “martela”, com uma ou duas
mãos, as notas na escala do instrumento.

Ao ser perguntado sobre se seria
possível imaginar que uma apresentação nas ruas americanas lhe renderia tamanha
notoriedade, Jordan afirmou que, quando optou por tocar nas ruas seria algo
temporário, porém essa ação foi de extrema importância, pois o fez aprender a
se conectar com o público. Dotado de uma comovente simplicidade, Stanley
encerrou a breve entrevista afirmando que “para ele está tudo certo seguir o
caminho da música que ele sente”. E foi isso realmente que a plateia pôde
sentir em sua apresentação, que tem muita emoção envolvida.